Outros Ares #6 (Humberto Werneck e Luís Henrique Pellanda)

Parece que o editorial anterior, no qual mostramos nossa preocupação com o futuro da Outros Ares, sensibilizou algumas pessoas. Não tivemos uma avalanche de contos enviados, mas o número de pessoas que tentou colaborar foi consideravelmente maior do que vinha sendo, e esperamos que continue sendo assim.

Aliás, talvez seja até o caso de dar uma satisfação pública àqueles que nos enviam contos que não são escolhidos.

A seleção do que entra ou não na Outros Ares é simples: os dois editores leem os contos e, em seguida, cada um “diz” quais contos escolheu. Os que figuram nas duas listas são automaticamente incluídos. Quando esses não atendem à quantidade mínima que temos por ideal – quatro contos -, cada editor tenta convencer o outro sobre histórias que um gostou e o outro não.

Ou seja: é um processo subjetivo, mas sem apenas ser subjetivo, já que a escolha não pode ser baseada somente no gosto pessoal. Muitas vezes um conto pode agradar, mas pode não ser bem escrito, ou pode ser muito longo, por exemplo. E o contrário pode acontecer também. Portanto, se você tentou colaborar e não conseguiu, não desista. Continue nos enviando contos.

Agora vamos à sexta edição da Outros Ares, que de certa forma faz uma homenagem ao gênero Crônica. Neste sexto número não entrevistamos um autor, mas dois: Humberto Werneck e Luís Henrique Pellanda. O primeiro, mineiro de nascença (safra 1945), mora em São Paulo há mais de quarenta anos e é um dos mais competentes jornalistas do país. Trabalhou em alguns dos maiores veículos de imprensa do Brasil, como as revistas IstoÉ e Playboy. É autor de vários livros, como “O desatino da rapaziada”, sobre jornalistas e escritores mineiros; “O santo sujo”, biografia de Jayme Ovalle; “O pai dos burros”, um dicionário de lugares-comuns”, entre outros.

Pellanda nasceu em Curitiba, em 1973, e é escritor, jornalista e músico. Foi co-editor do site de crônicas Vida Breve e subeditor do jornal Rascunho – a rigor, o único jornal sobre literatura do país. É dele a coletânea de contos “O macaco ornamental”, e foi ele o organizador do livro “As melhores entrevistas do Rascunho – Vol. 1”.

Ambos, Humberto e Luís Henrique, também são cronistas. E foram deles os livros que inauguraram de maneira retumbante, para utilizar apenas um adjetivo de peso, a coleção “Arte da Crônica”, da editora Arquipélago Editorial. Werneck com “Esse inferno vai acabar” e Pellanda com “Nós passaremos em branco“. São dois belos livros, tanto como objetos – o projeto gráfico, as capas, a “qualidade física” – quanto como literatura – ambos recheados de excelentes textos. Dois dos quais são republicados aqui – com autorização dos autores e da editora: “Meia hora de vida real“, de Werneck, e “O homem com a menina no colo“, de Pellanda.

Entre os contistas publicados nesta edição estão: Marcondes Araújo, mais uma vez, com “Bala por chocolate“; Sergio Maciel, com “Barão do Rio Branco, 1016“; Roberto Prado Barbosa Junior, com “De pombos“; e, por fim, Don Soares, com “Gato das sete mortes“.

A “homenagem” à Crônica não é gratuita: além de o gênero aparentemente estar sendo descoberto por muitos leitores, estamos no mês de outubro. E o mês de outubro, para a literatura brasileira, tem uma ligação muito especial com um dos maiores autores brasileiros: Fernando Sabino.

Mineiro como Humberto Werneck, Fernando Sabino nasceu em 12 de outubro de 1923, e nos deixou no dia 11 de outubro de 2004. Um dos mestres da crônica, Sabino foi também um exímio romancista, deixando pelo menos duas obras-primas de nossa literatura: “O encontro marcado” e “O grande mentecapto”. Na verdade, três, se considerarmos as palavras de Jorge Amado sobre “O menino no espelho”, terceiro e último romance do autor mineiro. Jorge diz, em “Navegação de cabotagem”, que “O menino no espelho” é uma obra-prima.

Esta edição é, portanto, dedicada a Fernando Sabino. Esperamos que gostem.

***

A imagem que ilustra esta edição é do escritor, publicitário e fotógrafo André Takeda. Nascido em Porto Alegre, atualmente Takeda mora em Buenos Aires.

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5 comentários em “Outros Ares #6 (Humberto Werneck e Luís Henrique Pellanda)”

  1. Grande mineirinho Fernando Sabino, ele foi homenageado no blog do jornalista Jorge Kajuru, nos homens de bem.
    Roberto Prado é um grande escritor, não entendo como não tem um reconhecimento aqui no estado de São Paulo pelo menos.
    Iniciativas como este blog, não pode ficar de lado. Nem passar despercebido.

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