Águas do meu batismo

[Ernane Catroli]

As cores da manhã e o ruído crescente das ondas na areia. Baixa temporada agora. Seguia pela aleia de cascalho que levava ao casarão de dois andares. Pensão do Farol. Ao abrir a porta, Dona Jovita, o semblante rijo. Mais magra. Cabelos ralos.

Mas é Milena quem emerge do ambiente. Muitas vezes. Milhares de vezes.

Toda a nossa louca juventude e aquela gravidez atropelando os dias.

– Faremos, então, o combinado.

***

O lado do quarto onde permaneço mudo e a voz imperativa de dona Jovita. Milena deitada na cama de solteiro. Os olhos aumentados.

Sobre o criado mudo, a infusão de ervas para ser ingerida aos poucos, conforme recomendação. A pequena maleta aberta sob a luz do abajur.

O início. O meio.

A noite antiga. Azul.

Ouvia-se o mar.

Ernani Catroli é natural de Sant’Anna de Cataguases, MG, onde passou infância e adolescência. Há muitos anos reside no Rio de Janeiro. Bioquímico de formação, exerce atividades científicas e acadêmicas na área de Saúde. Publica regularmente em alguns blogs dedicados à cultura.

Leia a seguirA ameaça comunista“.

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2 comentários em “Águas do meu batismo”

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